Segundo o Aurélio, livre – arbítrio é a “possibilidade de exercer um poder sem outro motivo que não a existência mesma desse poder; liberdade de indiferença”. De maneira geral: é a liberdade de fazer escolhas, de tomar as rédeas de nossa existência. Dizer sim ou não. Pronto. Pronto?No mínimo angustiante. Paradoxal. Digo paradoxal porque livre – arbítrio não é também liberdade de indiferença? E ser indiferente é ficar à parte de qualquer posição determinada, uma pessoa desinteressada. Logo, não exerce poder, o indiferente não se importa. Está Apático. Tudo bem. Sou livre para ser indiferente. Há várias formas de liberdade. Dizem. Mas, eis senão quando o Aurélio ressurge, só que agora com a definição categórica dessa tal liberdade, desse modo: Liberdade é o “poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas; Faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei”. Hesitação. Como posso ser livre dentro de limites impostos? Dilemático. Acho que vou me satisfazer com a “liberdade vigiada”, aquela concedida a um menor delinquente, que entregue a uma instituição deve ser reeducado, vigiado, regenerado.
Talvez tenha sido numa manhã entre tantas manhãs cinzentas, que uma sutil epifania – se é que posso chamar assim – se apoderou completamente de todo meu entendimento ou pensamento, até então, emaranhados, nas coisas que sempre acreditei.De repente – como algo que descobrimos pela primeira vez – é uma constatação que sempre estivera ali, a espreita. Mas, só de repente, as coisas tomam seu lugar, sua forma, sua concepção: O tempo é absoluto! Conceber o tempo é aceitar a verdade desnuda, a ditadura do relógio que não para. Infalível. É entender que não há como voltar atrás, nem convencionar o tempo passado ao nosso favor. É o que é. Impiedoso.Observem o relógio solar e seu gnômon certeiro, o tempo astronômico e seus objetos celestes, o tempo do relógio e a tirania acertada dos ponteiros. Inflexíveis. Num tique-taque, o tempo atravessa. Incessante. Num tique-taque, o tempo passa apressado. Imbatível. Para que tudo aconteça, o inexorável presente. Irreversível. Para que a vida se cumpra, o dia que passa. Inevitável.