domingo, 5 de fevereiro de 2012

A quatro mãos



Queria que a vida

Fosse mais que segundas e suas feiras

Horários, pactos e outras tantas besteiras

Que, demais,

Não deixam brechas, para o que se deseja.



M.M.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Liberdade condicional





Segundo o Aurélio, livre – arbítrio é a “possibilidade de exercer um poder sem outro motivo que não a existência mesma desse poder; liberdade de indiferença”.
De maneira geral: é a liberdade de fazer escolhas, de tomar as rédeas de nossa existência. Dizer sim ou não. Pronto.
Pronto?No mínimo angustiante. Paradoxal.
Digo paradoxal porque livre – arbítrio não é também liberdade de indiferença? E ser indiferente é ficar à parte de qualquer posição determinada, uma pessoa desinteressada. Logo, não exerce poder, o indiferente não se importa. Está Apático.
Tudo bem. Sou livre para ser indiferente. Há várias formas de liberdade. Dizem.
Mas, eis senão quando o Aurélio ressurge, só que agora com a definição categórica dessa tal liberdade, desse modo: Liberdade é o “poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas; Faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei”. Hesitação. Como posso ser livre dentro de limites impostos? Dilemático.
Acho que vou me satisfazer com a “liberdade vigiada”, aquela concedida a um menor delinquente, que entregue a uma instituição deve ser reeducado, vigiado, regenerado.
Liberdade, um substantivo irresoluto!
...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Eu: pronome pessoal do caso reto


Você sempre quer informação
Procura saber da minha vida
Do que é feita minha composição

Eu já lhe disse: Sou empírica.
Falta - me a base científica
E sempre entro em contradição

Mas, não tenho contra-indicação
É, eu sei, há quem duvida
Já causei alguma confusão...

Aliás, tenho verdades estabelecidas
Quando quero sei ser persuasiva
E sou de amargar quando tenho razão.


M.M.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Telefone Mudo



A ficha caiu:
Depois dessa guerra fria
Nosso amor se partiu.


M.M.

O egoísta

Sempre foi assim:
Verdades distorcidas
Mais não do que sim


M.M.

Dissonante

No seu rosto esse esboço
Dum cansaço ancestral
Sempre à procura dum encosto
Tudo soa tão boçal!




M.M.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Venha ver o vento


Venha menino, venha ver o vento
Aqui ele é mais intenso, até parece cantar
É o vento vigoroso que vem do mar
Venha, ouça, ele canta diferente de lá

Abra a janela menino, venha ver o vento
Antes que ele se perca, deixe-o entrar
Para que se embaralhe com a saudade
Que vez ou outra invade esse mar

Deixa menino, deixa passar o vento
Pelas frestas do que só serão promessas
Entenda que como o vento que atravessa
Não há caminho para voltar...

Ouça menino, há uma única certeza:
Não pertencemos mais a nenhum lugar.






M.M

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ponteiros de Chronos

Talvez tenha sido numa manhã entre tantas manhãs cinzentas, que uma sutil epifania – se é que posso chamar assim – se apoderou completamente de todo meu entendimento ou pensamento, até então, emaranhados, nas coisas que sempre acreditei.De repente – como algo que descobrimos pela primeira vez – é uma constatação que sempre estivera ali, a espreita. Mas, só de repente, as coisas tomam seu lugar, sua forma, sua concepção:
O tempo é absoluto!
Conceber o tempo é aceitar a verdade desnuda, a ditadura do relógio que não para. Infalível. É entender que não há como voltar atrás, nem convencionar o tempo passado ao nosso favor. É o que é. Impiedoso.Observem o relógio solar e seu gnômon certeiro, o tempo astronômico e seus objetos celestes, o tempo do relógio e a tirania acertada dos ponteiros. Inflexíveis. Num tique-taque, o tempo atravessa. Incessante. Num tique-taque, o tempo passa apressado. Imbatível. Para que tudo aconteça, o inexorável presente. Irreversível. Para que a vida se cumpra, o dia que passa. Inevitável.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nó(s)



Desato tantos nós
Nessa ausência de nós dois...




M.M.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011




Dias e silêncios
Meu corpo inerte num gesto abissal
Apenas trago na boca mais um trago
do meu cigarro


- E a certeza do final -






M.M.