quinta-feira, 15 de janeiro de 2009




a pia cheia de louça
O sofá é mais convidativo
nunca fui mulher de encontrar essência entre dertegentes e abrasivos
rastros de pés mostram a poeira já impregnada no piso
e o amontoado de roupas mostram o descaso sentido
em minha casa deixo externo o que há no intimo
e a cada desordem comprova-se a vida que tenho vivido
Cada um faz o que pode pra expressar o abismo.


Michelle Matias


A partir de amanhã não bebo mais, assim não me permito pensar em você, não abro mais meus e-mails e não me importo com caixas-postais tudo que lembrar seu nome eu esqueço, não me remeto a tempos primordiais.
Suas fotos guardei no alto aonde há dificuldade em horas de desespero, em horas fatais
Músicas, já não as ouço, aqueles discos já não tenho mais
Nem me permito sonhar com seu rosto, amanhã já não durmo mais.
Se lhe vir na rua, dou um sorriso torto e verás
que não velo mais o seu corpo, sai do luto.
E tirei do peito as suas iniciais.


Michelle Matias


Absorvo a cada introspecção
nova releitura de mim mesma
Novas saídas, novas verdades
Inevitáveis verdades...

Os pulsos já roxos pelas amarras da vida
delatam a agonia em viver, a dor de ser humano
e a cruel realidade do caminho que se percorre

Somente meu refúgio interior me liberta das pressões externas
da loucura alheia, da influência dos homens...
Somente o mergulho na minha real essência me faz acreditar naquilo que realmente sou (ou gostaria de ser)


Não quero macular o que ainda há de verdadeiro
Nem tampouco deixar passar o que há de bom
Quero manter vivo o que há de mais humano e diáfano em mim...

Michelle Matias


Eu que muitas vezes fui amada
E o caminho infinito, cheio de possibilidades...
Eu que outrora tinha a candura dos anjos

Agora tão cativa
Mergulhada no abismo do silêncio
Na sombra da imaginação
Com o coração que incomoda como a um corpo estranho
Eu que tinha a voz da verdade
e que lutava com voracidade
sem medo da liberdade

Agora tão alheia
Afogando-me em um mar de indiferenças
com o pudor entranhado em mim
Com o triste sentimento de não haver mais intocáveis

Eu que fui feliz
E agora um anjo decaído toma minha mão e indica o caminho para o nada


Michelle Matias

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009






Arrasto meus passos em caminhos infinitos
Espectros povoam minha mente
E o amanhã me desespera
Consolo-me na espera da noite e suas luzes estrelares
Às vezes mulher obscura
Às vezes mulher de raros tesouros
Às vezes estremecida de espanto
Em verdade agonizo, parada no meio fio.

Michelle Matias



Não quero participar do demente culto
À mulher-nádega
Ao sensacionalismo barato
Aos quinze minutos de fama fabricado
À beleza forçada, esticada.
Às futilidades, vaidades.
Ao indigesto “é preciso”:
È preciso ter, é preciso correr, é preciso comprar, é preciso trocar, é preciso lembrar (ser lembrando), é preciso sorrir, é preciso mentir, é preciso evoluir, é preciso alisar, é preciso amar (ser amado), é preciso escolher, é preciso ganhar, é preciso viver (!?)...
Não quero precisar, mas haja ser humano pra deturpar.

Michelle Matias


Queria rimar para você
Palavras dignas
Com o português claro
Mas não sou poeta e nem tenho dicionário
Minhas metáforas são forçadas e artificiais
Não há rima, nem versos.
Mas se cartas de amor podem ser ridículas
Porque meus versos não podem ser originais


Michelle Matias



Na lida insana da vida
Não me deixo vender,
Não me deixo sufocar
Pelo discurso verborrágico
Que habita nossas cabeças
Pelo coração mesquinho que se preocupa com a vida alheia
Com pessoas alteradas, alienadas que moram ao lado.
Só fico à margem gargalhando sobre esse saco de mau cheiro, sobre essa loucura,
desespero.
Michelle Matias




Quero correr o pano
Sepultar todas as mentiras
Exilar toda a infâmia
E embrenhar-me no imo...
Para deixar na escuridão, no ermo...
Toda as mazelas que me foi deixada
Por desventura.
Por atroz desengano.

Michelle Matias


Livre-me do eufemismo social
Do cinismo eleitoral
Do poder irracional
Do burguês bestial
Do hipocondríaco mortal
Livre-me da escória
Das mazelas
Da carnificina nacional.


Michelle Matias






Escondo verdades
Mentiras...
Certezas...
Incertezas...
Sou cheia de sonhos incertos
Que poderiam ser certos
Como a vida.
Mas sempre deixo a porta entreaberta
Na qual não entra nem sai, tudo fica no meio...
Do caminho.

Michelle Matias




Decidi.
Vou forjar uma fuga
Não vou deixar pistas, sinais visuais...
Vou vestir meu vestido de chita,
Fumar ópio
E livrar-me da má influência dos signos astrais
Que sempre diz: Hoje é seu dia de sorte
Vou ser minha própria sorte.
Não vou morrer na fogueira da rotina
E nem me apegar às efemeridades das coisas
Serei o próprio efêmero.
O meu próprio caminho (ou desvio.).

Michelle Matias



Abri a janela
E respirei o límpido ar da lucidez
E junto à minha mandala meditei
Sobre o mundo tantas vezes “caduco”
Tantas vezes soturno.
Não padeço, não me sinto convulso.
Sepultei tudo que há de inútil neste mundo cheio de inutilidades
Curei a ferida de ser humano, de ser fraco.
Apenas vivo, pois a vida é uma dança onde não se escolhe o par.

Michelle Matias





No ócio, me esgoto.
No tédio, me rebelo...
No riso, me abrigo...
Nos sonhos, idealismo...
Na razão, traços de emoção...
No suor, eu deliro...
No amor, eu domino...
Meu amor, desatino!


Michelle Matias