quinta-feira, 30 de abril de 2009





Na sedução de teus olhos senti o êxtase
Olhos jamais esquecidos – hoje somente saudade.
Tua pele tantas vezes como segunda pele em mim - ficou somente a impressão.
Sua respiração em compasso com a minha - total ligação.
Às vezes era amor, às vezes carnal
Mas, ainda em mim está cru...
O tempo não o tornou banal.


Michelle Matias

quarta-feira, 8 de abril de 2009





Ainda sim sou alguém
Mesmo nas incontáveis vezes
Que me fizesse aquém

Ainda sim consigo enxergar
Na noite densa e sem luzes estrelares...
A aurora que há de chegar...

Ainda sim o meu sangue há de jorrar
Mesmo tendo muitas vezes...
Feito-me sangrar...

Ainda sim tenho nas mãos flores
Mesmo que em meu jardim
Sua erva daninha venha devastar...

E saiba...
Minha alma tem asas
E nada a impedirá de voar...

Michelle Matias

sábado, 4 de abril de 2009





Mordo como quem beija.
Grito como quem cala.
Bato como quem afaga.
Amo como quem respira.
Acordo como quem nasce.
Durmo como quem morre...
Tudo em mim é derradeiro...
Amargo e doce.


Michelle Matias

sexta-feira, 3 de abril de 2009




Eu não sei porque estou...
A decifrar em meus sentidos
O sentido de existir
Talvez apenas não sei aonde ir
Apenas vou pelo mundo, sentindo
Que por algum motivo estou...
Decifrando o que me faz viver
Na leveza e na atroz delicia de ser.
Sem saber pra onde vou ...
Querendo ver o sol.
Querendo ver por cima do muro.
Através do horizonte.








Michelle Matias

quinta-feira, 2 de abril de 2009





Crianças não nascem más.
Crianças não nascem racistas.
Crianças não nascem hipócritas.
Crianças não nascem reduzidas.
Crianças não nascem preconceituosas.
Crianças não nascem capitalistas.
Crianças nascem puras, genuínas, criativas.
Mas são adestradas,
Induzidas, resumidas...
Crianças são abatidas em pleno vôo.


Michelle Matias





Passará esta noite interna
De obscuros pensamentos
De insensatos sentimentos
De respostas incertas...

Passará a inquietação
De ser e não saber porque
de querer e não saber o que
De sentir e não controlar a emoção.

Passará a dor de existir...
A dor de não sentir
Calmaria em dias calmos.

Será que me satisfaz
A insatisfação?
E porque me inquieta
A inquietação?








Michelle Matias

quarta-feira, 1 de abril de 2009





Às vezes me afundo tão raso...
Que não há como me salvar
Afogo-me em superfícies abstratas
Aonde não há como me agarrar...

Entrego - me aos tormentos e a dor...
Envoltos na sombra de minha imaginação
E entrego meu torpor
Prometido as águas da desilusão.

Mas só a alma me suspenderá...
Rumo a algum lugar...
Antes que eu padeça
E não consiga me salvar...




Michelle Matias






O clamor das coisas pulsava...
Dentro do peito.
Senti a vibração do meu próprio sentido.
Fui aos poucos tomando consciência...
De tudo, de mim.
Batia na alma o sangue que corria em minhas veias.
E onde só havia pedras, fez-se flor.
Michelle Matias





Hoje descobri que estou viva
E não sonho.
Percebo que me encontro numa cadeira elétrica desligada...
Onde não há gozo, nem tormento.
E sinto que preciso perder a mim mesma...
A fim de me encontrar.
Pois o que hei perder é infinitamente menor
Do que aquilo que hei de ganhar.
E arrancarei o véu
Que não me deixa enxergar...
E verei que posso ser mais que uma gota d’água
Na imensidão do mar.



Michelle Matias