quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Telefone Mudo


A ficha caiu:
Depois dessa guerra fria
Nosso amor se partiu.


M.M.

O egoísta

Sempre foi assim:
Verdades distorcidas
Mais não do que sim


M.M.

Dissonante

No seu rosto esse esboço
Dum cansaço ancestral
Sempre à procura dum encosto
Tudo soa tão boçal!




M.M.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Venha ver o vento




Venha menino, venha ver o vento
Aqui ele é mais intenso, até parece cantar
É o vento vigoroso que vem do mar
Venha, ouça, ele canta diferente de lá

Abra a janela menino, venha ver o vento
Antes que ele se perca, deixe-o entrar
Para que se embaralhe com a saudade
Que vez ou outra invade esse mar

Deixa menino, deixa passar o vento
Pelas frestas do que só serão promessas
Entenda que como o vento que atravessa
Não há caminho para voltar...

Ouça menino, há uma única certeza:
Não pertencemos mais a nenhum lugar.






M.M

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ponteiros de Chronos



Talvez tenha sido numa manhã entre tantas manhãs cinzentas, que uma sutil epifania – se é que posso chamar assim – se apoderou completamente de todo meu entendimento ou pensamento, até então, emaranhados, nas coisas que sempre acreditei.De repente – como algo que descobrimos pela primeira vez – é uma constatação que sempre estivera ali, a espreita. Mas, só de repente, as coisas tomam seu lugar, sua forma, sua concepção:
O tempo é absoluto!
Conceber o tempo é aceitar a verdade desnuda, a ditadura do relógio que não para. Infalível. É entender que não há como voltar atrás, nem convencionar o tempo passado ao nosso favor. É o que é. Impiedoso.Observem o relógio solar e seu gnômon certeiro, o tempo astronômico e seus objetos celestes, o tempo do relógio e a tirania acertada dos ponteiros. Inflexíveis. Num tique-taque, o tempo atravessa. Incessante. Num tique-taque, o tempo passa apressado. Imbatível. Para que tudo aconteça, o inexorável presente. Irreversível. Para que a vida se cumpra, o dia que passa. Inevitável.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nó(s)



Desato tantos nós
Nessa ausência de nós dois...



M.M.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011




Dias e silêncios
Meu corpo inerte num gesto abissal
Apenas trago na boca mais um trago
do meu cigarro

- E a certeza do final -






M.M.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pela porta






Os olhos se voltaram contra mim
As verdades expostas sobre a mesa
Não pude dizer não nem sim
Saí à francesa


M.M

Canibalístico




O amor carcomeu:
Vísceras, sonhos e ilusões
Canibal
Roeu até os ossos




M.M.

domingo, 1 de maio de 2011

pés descalços...




Por onde abriremos passagem
Em busca de algum horizonte
De alguma paisagem
Que não nos deixe, assim, despedaçados,
Só com o que resta de nós.





M.M.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Gosto de despedida





Chegou a hora de ir embora
De deixar o corpo livre de todos os trapos
Abandonar os algozes
O medo escuro e carrasco

É tempo de despir a vida
Das alcovas da aversão
Assumir os pecados
Os vícios, a solidão

É momento de conceber o meu lugar
Sem pressa ou desespero de chegar
Elegendo caminhos
Que meus pés no chão irão pisar.


M.M.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

existe luz no fim do túnel?




Aldeia
Cantagalo, 27/04/2010

Da minha janela vejo o verde, mas não o verde da esperança, apenas a miscelânea de dissabores e seres incompreensíveis, dignos de um olhar leviano. Onde se vêem pássaros coloridos, majestosos, musicais, para mim se limitam a seres voláteis, inseridos no mundo da sobrevivência. Das árvores copadas, frutíferas, um empecilho para ver adiante. Nunca a natureza foi tão tirana, tão gris. Dos animais rastejantes, o horror inicial se transformou em olhar atento, em um sádico desejo de extingui-los. Nunca a natureza foi tão abjeta.
Mas, daqui, da minha janela, vejo também o bicho homem tão certo de sua importância, tão prepotente na sua existência. Que chego a confundir os sentidos de minhas impressões ao que está ao redor, e já não sei quem de fato está subjugado pelo meu olhar descrente. E me indago: é o homem vitima da natureza, ou natureza vem refletindo do que é capaz o homem?
Talvez, eu nunca saiba, porém não quero habituar-me às paisagens impostas, é preciso olhar nas entrelinhas dos cenários habituais, e discernir quem de fato, da minha janela, eu quero contemplar.




M.M.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Viva!





Hoje uma corrente e um cadeado, ambos comprados em um armazém agropecuário
trouxeram-me a liberdade de volta...

Viva a abolição da política da boa vizinhança!





M.M.

terça-feira, 29 de março de 2011

Pela janela




Tenho sentido mais empatia aos “marginalizados”. Têm me dado mais gosto ver os que se aventuram notívagos, andarilhos, filhos da lua. Têm feito mais significado os que despem seus trapos e seguem atrás de ideias, alucinados. Tenho brilho nos olhos ao ver os loucos genuínos, os de riso solto, de cabelo colorido. Tenho achado corajoso quem diz ter medo, e está sempre à procura da chance de fuga. E mais corajosos ainda os que se contradizem. Gosto dos que têm vocação para sobrevivente. E dos que entendem que a vida é curta. Observo aqueles de fachada sã (sempre me dão medo). Torço pelos que lutam pela sua essência pela sua crença.
Tenho gostado de novos caminhos e ter tamanho para todos os lados.





M.M.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

nonsense




Quero ter o amor que passa...
Nesta vida que fica.


M.M.