quarta-feira, 27 de abril de 2011

Gosto de despedida





Chegou a hora de ir embora
De deixar o corpo livre de todos os trapos
Abandonar os algozes
O medo escuro e carrasco

É tempo de despir a vida
Das alcovas da aversão
Assumir os pecados
Os vícios, a solidão

É momento de conceber o meu lugar
Sem pressa ou desespero de chegar
Elegendo caminhos
Que meus pés no chão irão pisar.


M.M.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

existe luz no fim do túnel?




Aldeia
Cantagalo, 27/04/2010

Da minha janela vejo o verde, mas não o verde da esperança, apenas a miscelânea de dissabores e seres incompreensíveis, dignos de um olhar leviano. Onde se vêem pássaros coloridos, majestosos, musicais, para mim se limitam a seres voláteis, inseridos no mundo da sobrevivência. Das árvores copadas, frutíferas, um empecilho para ver adiante. Nunca a natureza foi tão tirana, tão gris. Dos animais rastejantes, o horror inicial se transformou em olhar atento, em um sádico desejo de extingui-los. Nunca a natureza foi tão abjeta.
Mas, daqui, da minha janela, vejo também o bicho homem tão certo de sua importância, tão prepotente na sua existência. Que chego a confundir os sentidos de minhas impressões ao que está ao redor, e já não sei quem de fato está subjugado pelo meu olhar descrente. E me indago: é o homem vitima da natureza, ou natureza vem refletindo do que é capaz o homem?
Talvez, eu nunca saiba, porém não quero habituar-me às paisagens impostas, é preciso olhar nas entrelinhas dos cenários habituais, e discernir quem de fato, da minha janela, eu quero contemplar.




M.M.