terça-feira, 29 de novembro de 2011

Venha ver o vento




Venha menino, venha ver o vento
Aqui ele é mais intenso, até parece cantar
É o vento vigoroso que vem do mar
Venha, ouça, ele canta diferente de lá

Abra a janela menino, venha ver o vento
Antes que ele se perca, deixe-o entrar
Para que se embaralhe com a saudade
Que vez ou outra invade esse mar

Deixa menino, deixa passar o vento
Pelas frestas do que só serão promessas
Entenda que como o vento que atravessa
Não há caminho para voltar...

Ouça menino, há uma única certeza:
Não pertencemos mais a nenhum lugar.






M.M

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ponteiros de Chronos



Talvez tenha sido numa manhã entre tantas manhãs cinzentas, que uma sutil epifania – se é que posso chamar assim – se apoderou completamente de todo meu entendimento ou pensamento, até então, emaranhados, nas coisas que sempre acreditei.De repente – como algo que descobrimos pela primeira vez – é uma constatação que sempre estivera ali, a espreita. Mas, só de repente, as coisas tomam seu lugar, sua forma, sua concepção:
O tempo é absoluto!
Conceber o tempo é aceitar a verdade desnuda, a ditadura do relógio que não para. Infalível. É entender que não há como voltar atrás, nem convencionar o tempo passado ao nosso favor. É o que é. Impiedoso.Observem o relógio solar e seu gnômon certeiro, o tempo astronômico e seus objetos celestes, o tempo do relógio e a tirania acertada dos ponteiros. Inflexíveis. Num tique-taque, o tempo atravessa. Incessante. Num tique-taque, o tempo passa apressado. Imbatível. Para que tudo aconteça, o inexorável presente. Irreversível. Para que a vida se cumpra, o dia que passa. Inevitável.