domingo, 12 de agosto de 2012

Morra e comece a viver.



Não procuro mais respostas. Causas, efeitos, os porquês. O mundo já anda cheio de verdades. E mentiras necessárias. Todo mundo sabe tudo. Todos leem filosofia, entendem de arte, discutem religião. Todos especialistas. Não há nada que não possa ser rebatido. Tudo é argumento e contra-argumento. Não existem mais verdades absolutas, valores incontestáveis. Todo mundo pode tudo. Tudo é relativo.

Por isso, ando exercitando o nada. Ser nada. Nada.

Então, o que escrevo agora, pobre leitor, é sustentado pelo nada e comprovado por menos ainda. É. Apenas é. Por que não quero mais saber os motivos. O porquê de tudo. Eu simplesmente estou, eu simplesmente sou. Sou um corpo composto de pequenas unidades denominadas células. Um organismo vivo. Apenas uma máquina biológica complexa.

Como, Durmo, Expilo, Instinto.

Só.

Como um animal. Irracional. Sobrevivência da espécie. Que se resume com a extinção de indivíduos com baixo poder adaptativo. Adapto-me. Seleção natural da vida. Como um gesto espontâneo. Vulgar. Isso mesmo:comum, trivial, corriqueiro. Porque toda minha racionalidade tem sido usada senão irracionalmente. Apenas um conjunto dos tecidos vivos que perpetuam a espécie e a mantém viva. Viva. Apenas.