quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía.


Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014





A Rua dos Cataventos
(Mario Quintana)

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!


A verdadeira história do Natal

A humanidade comemora essa data desde bem antes do nascimento de Jesus. Conheça o bolo de tradições que deram origem à Noite Feliz

Texto Thiago Minami e Alexandre Versignassi


Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de uma longa comilança.
Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de "nascimento" do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência.
A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o "renascimento" do Sol. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.
A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, esse culto é o que daria origem ao nosso Natal. Ele chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.
Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. "O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes", dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome ("Religiões de Roma", sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

Solstício cristão
As datas religiosas mais importantes para os primeiros seguidores de Jesus só tinham a ver com o martírio dele: a Sexta-Feira Santa (crucificação) e a Páscoa (ressurreição). O costume, afinal, era lembrar apenas a morte de personagens importantes. Líderes da Igreja achavam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou de um mártir – já que ele só se torna uma coisa ou outra depois de morrer. Sem falar que ninguém fazia idéia da data em que Cristo veio ao mundo – o Novo Testamento não diz nada a respeito. Só que tinha uma coisa: os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. E colocar uma celebração cristã bem nessa época viria a calhar – principalmente para os chefes da Igreja, que teriam mais facilidade em amealhar novos fiéis. Aí, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus teve a sacada: cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século 4, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império, o Festival do Sol Invicto começou a mudar de homenageado. "Associado ao deus-sol, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade", diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp. Assim, a invenção católica herdava tradições anteriores. "Ao contrário do que se pensa, os cristãos nem sempre destruíam as outras percepções de mundo como rolos compressores. Nesse caso, o que ocorreu foi uma troca cultural", afirma outro historiador especialista em Antiguidade, André Chevitarese, da UFRJ.
Não dá para dizer ao certo como eram os primeiros Natais cristãos, mas é fato que hábitos como a troca de presentes e as refeições suntuosas permaneceram. E a coisa não parou por aí. Ao longo da Idade Média, enquanto missionários espalhavam o cristianismo pela Europa, costumes de outros povos foram entrando para a tradição natalina. A que deixou um legado mais forte foi o Yule, a festa que os nórdicos faziam em homenagem ao solstício. O presunto da ceia, a decoração toda colorida das casas e a árvore de Natal vêm de lá. Só isso.
Outra contribuição do norte foi a idéia de um ser sobrenatural que dá presentes para as criancinhas durante o Yule. Em algumas tradições escandinavas, era (e ainda é) um gnomo quem cumpre esse papel. Mas essa figura logo ganharia traços mais humanos.

Nasce o Papai Noel
Ásia Menor, século 4. Três moças da cidade de Myra (onde hoje fica a Turquia) estavam na pior. O pai delas não tinha um gato para puxar pelo rabo, e as garotas só viam um jeito de sair da miséria: entrar para o ramo da prostituição. Foi então que, numa noite de inverno, um homem misterioso jogou um saquinho cheio de ouro pela janela (alguns dizem que foi pela chaminé) e sumiu. Na noite seguinte, atirou outro; depois, mais outro. Um para cada moça. Aí as meninas usaram o ouro como dotes de casamento – não dava para arranjar um bom marido na época sem pagar por isso. E viveram felizes para sempre, sem o fantasma de entrar para a vida, digamos, "profissional". Tudo graças ao sujeito dos saquinhos. O nome dele? Papai Noel.
Bom, mais ou menos. O tal benfeitor era um homem de carne e osso conhecido como Nicolau de Myra, o bispo da cidade. Não existem registros históricos sobre a vida dele, mas lenda é o que não falta. Nicolau seria um ricaço que passou a vida dando presentes para os pobres. Histórias sobre a generosidade do bispo, como essa das moças que escaparam do bordel, ganharam status de mito. Logo atribuíram toda sorte de milagres a ele. E um século após sua morte, o bispo foi canonizado pela Igreja Católica. Virou são Nicolau.
Um santo multiuso: padroeiro das crianças, dos mercadores e dos marinheiros, que levaram sua fama de bonzinho para todos os cantos do Velho Continente. Na Rússia e na Grécia Nicolau virou o santo nº1, a Nossa Senhora Aparecida deles. No resto da Europa, a imagem benevolente do bispo de Myra se fundiu com as tradições do Natal. E ele virou o presenteador oficial da data. Na Grã-Bretanha, passaram a chamá-lo de Father Christmas (Papai Natal). Os franceses cunharam Pére Nöel, que quer dizer a mesma coisa e deu origem ao nome que usamos aqui. Na Holanda, o santo Nicolau teve o nome encurtado para Sinterklaas. E o povo dos Países Baixos levou essa versão para a colônia holandesa de Nova Amsterdã (atual Nova York) no século 17 – daí o Santa Claus que os ianques adotariam depois. Assim o Natal que a gente conhece ia ganhando o mundo, mas nem todos gostaram da idéia.

Natal fora-da-lei
Inglaterra, década de 1640. Em meio a uma sangrenta guerra civil, o rei Charles 1º digladiava com os cristãos puritanos – os filhotes mais radicais da Reforma Protestante, que dividiu o cristianismo em várias facções no século 16.
Os puritanos queriam quebrar todos os laços que outras igrejas protestantes, como a anglicana, dos nobres ingleses, ainda mantinham com o catolicismo. A idéia de comemorar o Natal, veja só, era um desses laços. Então precisava ser extirpada.
Primeiro, eles tentaram mudar o nome da data de "Christmas" (Christ’s mass, ou Missa de Cristo) para Christide (Tempo de Cristo) – já que "missa" é um termo católico. Não satisfeitos, decidiram extinguir o Natal numa canetada: em 1645, o Parlamento, de maioria puritana, proibiu as comemorações pelo nascimento de Cristo. As justificativas eram que, além de não estar mencionada na Bíblia, a festa ainda dava início a 12 dias de gula, preguiça e mais um punhado de outros pecados.
A população não quis nem saber e continuou a cair na gandaia às escondidas. Em 1649, Charles 1º foi executado e o líder do exército puritano Oliver Cromwell assumiu o poder. As intrigas sobre a comemoração se acirraram, e chegaram a pancadaria e repressões violentas. A situação, no entanto, durou pouco. Em 1658 Cromwell morreu e a restauração da monarquia trouxe a festa de volta. Mas o Natal não estava completamente a salvo. Alguns puritanos do outro lado do oceano logo proibiriam a comemoração em suas bandas. Foi na então colônia inglesa de Boston, onde festejar o 25 de dezembro virou uma prática ilegal entre 1659 e 1681. O lugar que se tornaria os EUA, afinal, tinha sido colonizado por puritanos ainda mais linha-dura que os seguidores de Cromwell. Tanto que o Natal só virou feriado nacional por lá em 1870, quando uma nova realidade já falava mais alto que cismas religiosas.

Tio Patinhas
Londres, 1846, auge da Revolução Industrial. O rico Ebenezer Scrooge passa seus Natais sozinho e quer que os pobres se explodam "para acabar com o crescimento da população", dizia. Mas aí ele recebe a visita de 3 espíritos que representam o Natal. Eles lhe ensinam que essa é a data para esquecer diferenças sociais, abrir o coração, compartilhar riquezas. E o pão-duro se transforma num homem generoso.
Eis o enredo de Um Conto de Natal, do britânico Charles Dickens. O escritor vivia em uma Londres caótica, suja e superpopulada – o número de habitantes tinha saltado de 1 milhão para 2,3 milhões na 1a metade do século 19. Dickens, então, carregou nas tintas para evocar o Natal como um momento de redenção contra esse estresse todo, um intervalo de fraternidade em meio à competição do capitalismo industrial. Depois, inúmeros escritores seguiram a mesma linha – o nome original do Tio Patinhas, por exemplo, é Uncle Scrooge, e a primeira história do pato avarento, feita em 1947, faz paródia a Um Conto de Natal. Tudo isso, no fim das contas, consolidou a imagem do "espírito natalino" que hoje retumba na mídia. Quer dizer: quando começar o próximo especial de Natal da Xuxa, pode ter certeza de que o fantasma de Dickens vai estar ali.
Outra contribuição da Revolução Industrial, bem mais óbvia, foi a produção em massa. Ela turbinou a indústria dos presentes, fez nascer a publicidade natalina e acabou transformando o bispo Nicolau no garoto-propaganda mais requisitado do planeta. Até meados do século 19, a imagem mais comum dele era a de um bispo mesmo, com manto vermelho e mitra – aquele chapéu comprido que as autoridades católicas usam. Para se enquadrar nos novos tempos, então, o homem passou por uma plástica. O cirurgião foi o desenhista americano Thomas Nast, que em 1862, tirou as referências religiosas, adicionou uns quilinhos a mais, remodelou o figurino vermelho e estabeleceu a residência dele no Pólo Norte – para que o velhinho não pertencesse a país nenhum. Nascia o Papai Noel de hoje. Mas a figura do bom velhinho só bombaria mesmo no mundo todo depois de 1931, quando ele virou estrela de uma série de anúncios da Coca-Cola. A campanha foi sucesso imediato. Tão grande que, nas décadas seguintes, o gorducho se tornou a coisa mais associada ao Natal. Mais até que o verdadeiro homenageado da comemoração. Ele mesmo: o Sol.

Religions of Rome - Mary Beard, John North; Cambridge, EUA, 1998

Santa Claus: A Biography - Gerry Bowler, McClelland & Stewart, EUA, 2005

sábado, 4 de outubro de 2014




Nietzsche, Assim Falou Zaratustra.

"Queres buscar o caminho para ti mesmo? Detém-te um pouco mais e me escuta”
As pessoas estão ausentes de si mesmas, porque nunca se procuraram. Não admira, tudo lhes foi dado, e hoje acreditam na ficção do que são. Quantos presentes não nos ofereceram e que nos escravizaram? Quantas preces não repetimos, e que não são nossas? Vivemos no tempo em que lobos são capturados por ovelhas, pois as águas do ressentimento perfuram até o mais duro rochedo.
Mas nós já sabemos o caminho para a liberdade: a criação. O árduo caminho que o homem deve percorrer é o de criar a si mesmo, deixando para trás a carcaça daquilo que fizeram dele. Mas o rebanho ainda fala naquele que se isola para criar “é perigoso, você vai se perder”. O rebanho o acompanha em seus pensamentos.
As vozes da gregariedade atormentam aquele que quer voar, o seguram, o puxam, para que não suba mais. A culpa ainda ecoa na consciência daquele que se descolou das ovelhas, tão inocentes, seguindo seu pastor. Como o homem se transforma de ovelha em águia? Por sua própria Vontade de Potência! Quebrando o “tu deves” que o camelo carregava e se tornando leão.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Solidário da felicidade.




“A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro”. Platão


Ao longo da vida acabamos nos afastando de algumas pessoas e nos aproximando de outras. Por vários motivos, algumas por incompatibilidade de valores, outras porque a vida é dinâmica e algumas pessoas nem sempre acompanham nossas mudanças e se perdem pelo caminho. É claro que aqueles que amamos de verdade e nos amam, acompanham todas as nossas transformações. Sejam elas felizes ou não. Mas nada se compara a pessoas solidárias da felicidade. Aquelas que não abrem um sorriso amarelo a cada conquista sua, que não olham com olhos de desconfiança e inveja para sua expressão de felicidade e sua alegria. Infelizmente, existem muitas pessoas que acham muito mais fácil serem solidárias da tragédia, assim elas aproveitam para destilar o seu veneno, ver o circo pegar fogo e nunca estão dispostas a apaziguar, são as alcoviteiras de alma. O solidário da felicidade fica feliz a cada vitória sua, brinda com você, abre seus olhos com sabedoria quando você está cometendo algum engano e compartilha as belezas da vida. Essas, sem dúvidas, são as pessoas que a gente precisa e deve cultivar.
 Por Michelle Matias.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014





A gratidão é um sentimento forte e grandioso, pois exige de nós um alinhamento com o presente e a mudança dos pesos e medidas que usamos para avaliar o que realmente é importante. Ser grato, nos torna positivos diante da vida, nos faz enxergar a beleza nos pequenos gestos e momentos e abre nossos olhos para o real significado de tudo que nos cerca. Mudar nossa visão de mundo é uma atitude corajosa e requer trabalho e determinação, pois nos faz rever tudo aquilo que julgamos ser o caminho certo, e que passamos a vida inteira acreditando ser a verdade, mas é apenas uma visão distorcida e subjugada pelo nosso ego.  Este nos ensina a reclamar, a viver somente no futuro e no passado e não nos deixa ver o presente que nos é concedido todos os dias como uma nova oportunidade de ser melhor. Mudar não é fácil, exige suor, humildade, sabedoria e fé, mas tenho certeza que mesmo com passos lentos, todos os dias temos o presente para continuar a caminhar.  

Por Michelle Matias.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014




"A melhor professora da vida é a humildade, ela nos ensina a reconhecer nossos erros e a pedir perdão." Bezerra da Silva.









Hoje li essa frase e pensei em quantas pessoas se perdem na vida por não serem capazes de pedir desculpas ou perdoar o próximo, que nunca admitem seus defeitos e erros e não são capazes de voltar atrás, alguns por orgulho, outros por se acharem melhores ou perfeitos demais para admitir suas falhas, são pessoas que criam um mundo em que só elas têm razão ou detêm a verdade sobre a realidade, criam um mundo de ilusões destrutivas e destroem tudo que está a sua volta. E por mais que a vida tire tudo delas, sua pretensão, hostilidade e em alguns casos, loucura, as mantém de pé, acima de todos, despejando palavras vãs e criando situações constrangedoras para aqueles que compartilham o mesmo sangue que correm em suas veias. E, além disso, uma característica marcante de pessoas assim é a capacidade que elas têm de se colocar no papel da vítima, transformando todos aqueles que não participam de seus jogos, como algozes, onde o mundo inteiro e principalmente a família conspira e faz planos maquiavélicos para derrubá-las. Hoje, quando li essa frase do Bezerra da Silva, pedi sabedoria a Deus, como peço todos os dias, para que eu consiga olhar com amor e compaixão àqueles que foram escolhidos para fazerem parte da minha vida, mas, infelizmente, dificultam a minha missão aqui na terra.

"Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Por Michelle Matias

quarta-feira, 9 de julho de 2014

FIQUE CALMO: ALGO SOBRE TUDO O QUE VOCÊ JÁ APRENDEU NA ESCOLA



Fique calmo.
Você tem cinco anos de idade e só queremos que você sente nesta cadeira desconfortável por 5 horas.
Não começaremos por tanto tempo. No início há mais intervalos e períodos lúdicos. Vamos aumentando aos poucos.
Portanto, fique calmo.
Amanhã você também sentará nesta cadeira desconfortável por mais algum tempo.
De segunda a sexta e, às vezes, no sábado também. Embora por menos tempo.
E quando finalmente aprender a sentar nesta cadeira desconfortável por cinco horas, lá na frente estará um sujeito que falará durante as cinco horas sobre assuntos que, possivelmente, não interessam a você.
Não é culpa dele. Talvez nem ele saiba mais o que está fazendo ali.
Pois ele, antes de você, já teve a fase em que sentou-se, durante anos, em uma cadeira desconfortável durante cinco horas, ouvindo alguém falar sobre coisas que não lhe interessavam.
E, depois de passar por um processo desses, repetidamente, é bem possível que ele já não ligue mais para isso. Note como ele fala calmamente.
Assim, fique calmo.
Você não está aprendendo Matemática. Não está aprendendo Língua Portuguesa. Não está aprendendo Ciências. Isso é só a fachada.
O currículo está para o verdadeiro ensino como o restaurante sem movimento está para a lavagem de dinheiro de algum negócio ilícito. É só a fachada.
O que você aprende de verdade é que você deve suportar situações insuportáveis por períodos longos do seu dia, repetidamente ao longo de anos de sua vida.
A cadeira desconfortável em que você se senta por milhões de minutos está moldando sua bunda para o que bilhões de adultos costumam chamar de cotidiano.
Esse aprendizado tornará mais fácil e cômodo aceitar aquilo que se espera de você daqui a alguns anos.
E o cara lá na frente é uma espécie de boneco de treinamento. A exemplo dos simuladores, ele não pode feri-lo de verdade. Mas está condicionando você para a coisa mais importante nesta vida:
RESPEITAR A AUTORIDADE. A AUTORIDADE SÓ FALA A VERDADE.
E, pode acreditar, você terá oportunidade de respeitá-la e também de ser autoridade, às vezes simultaneamente, às vezes como boneco de treinamento. Ser, nessa máquina, uma engrenagem. Que é movida mas que move também
Sem respeito à autoridade, o mundo como o conhecemos não funciona. E todo o mundo sabe como o mundo, tal e qual o conhecemos, é ótimo. Todos o adoram. Ninguém quer engrenagens que se movam em algum sentido inesperado.
Então. Fique calmo. E sentado.
Outra coisa importante: errar é horrível.
Esperamos que você só acerte nesta vida.
Sabemos que ter medo de errar prejudica a criatividade, pois a criatividade presume eventuais erros.
Mas também ninguém espera que todo o mundo seja criativo. Afinal, o que seria da autoridade se todo o mundo começasse a ser criativo e tivesse liberdade para errar sem medo?
Assim, mais fachada: parece bonito ensinar alguém a só acertar, mas de verdade o que você tem que aprender mesmo é o medo de errar.
O mercado não admite erros.
Não havíamos tocado neste assunto, ainda.
O mercado.
Mas saiba que o mercado é a cola que une a sua bunda a essa cadeira desconfortável. Afinal, você precisa, um dia, ser capaz de ser um empregado e fazer parte do mercado.
É por isso que você está sentado. Sentado e calmo.
Fique calmo.
E, depois de anos de cadeira, ouvindo alguém falar de coisas que não lhe interessam em absoluto, você passará por uma coisa chamada vestibular.
O vestibular verifica se você ouviu e absorveu o suficiente de coisas desinteressantes e se, assim, será capaz de, mais tarde, vender seu tempo para projetos que também não lhe interessam necessariamente. E, assim, ser um empregado exemplar.
Isso tudo depende de:

- sua capacidade de ficar sentado em uma cadeira desconfortável, que indica sua predisposição a suportar situações insuportáveis

- sua capacidade de não questionar a autoridade, tão firmemente desenvolvida e fixada ao longo de anos que você nem a percebe

- sua capacidade de se interessar por assuntos que não o interessam realmente, que é uma espécie de auto-engano que as grandes empresas costumam chamar hoje de proatividade e de sinergia

Se você tiver absorvido tudo isso, certamente passará no vestibular. Muito embora – e mais uma vez entramos no tema da fachada – o vestibular pareça medir coisas como Matemática, Língua Portuguesa e Ciências.
Podemos concluir, grosso modo, que quanto mais concorrida a vaga de um curso, mais ela exige das três capacidades acima arroladas.
Matemática, Língua Portuguesa e Ciências são índices apenas. Na verdade, estão para o verdadeiro ensino como o hambúrguer está para o cadáver do boi.
Ainda assim, FIQUE CALMO.
Sim. Finalmente, você entrou em uma faculdade.
PARABÉNS!
Mais alguns anos de cadeira desconfortável. Só para garantir.
Mas agora você não precisa ficar sentado nela durante tanto tempo. Não é preciso. Seu espírito já se dobrou. Possivelmente, ele está sentado neste momento, suportando alguma situação insuportável, mesmo quando você está em pé.
Bem calmo.
É bem provável que essa faculdade em que você entrou tenha como slogan algo semelhante a “preparamos para o mercado” com a foto de um modelo sorridente abaixo.
Não confunda: ele não é um estudante da instituição, mas os dentes daquele sorriso são o mercado.
Para as fachadas mais humanas, o slogan é algo como “preparamos para a vida”. Que, considerando que vida e mercado hoje são quase sinônimos, dá na mesma.

“Preparamos cidadãos” – e seus equivalentes – quer dizer “ensinamos você a usar o Procon”. Porque, no mercado, o bom cidadão é o consumidor. Talvez a única vez que você tenha questionado o sujeito que fala coisas desinteressantes lá na frente tenha sido dizendo algo como: “Ei, eu pago o seu salário! Sou um consumidor!”. Parabéns, você aprende rápido.

Pois se você é incapaz de consumir, não é um cidadão de primeira classe. Talvez nem seja um cidadão.
E o mercado pede que você seja um cidadão. E o máximo a que o seu questionamento será capaz de chegar irá até estas três letrinhas: SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor).
Se as empresas quisessem atender pessoas, colocariam gente de verdade atendendo aos telefonemas. E não gravações ou outras pessoas lendo scripts e preparadas pelo mercado.
Por isso, o mercado – de olho no futuro – cola sua bunda à cadeira desconfortável durante horas.
Para aprender a suportar situações insuportáveis, respeitar a autoridade e para nivelar sua criatividade tão aceitavelmente quanto a volúpia de um gato castrado.
Para que assim, um dia, você possa contribuir e, só então, consumir: realimentando o processo.
Eu sei que, aos cinco anos de idade, é difícil entender o que está acontecendo.
Mas peço que, por alguns instantes e nos seguintes, você FIQUE CALMO.
Em alguns anos você vai aceitar tudo perfeitamente.

(Texto do escritor Alessandro Martins, que escreve no site Livro e Afins)

É engraçado como as pessoas são mal informadas. Copa e Política andam juntas sim, mais do que muita gente imagina. Eu não sou contra a copa, muito menos contra futebol, mas tenho informações o suficiente para ter vergonha de sediar uma. Até poucos meses atrás eu morava no Rio de Janeiro, e o que vi por lá foi triste e muito mais humilhante do que os 7x1 que os jogadores milionários e pseudopatriotas levaram ontem. Eu sei que somos um país que não questiona, que aceita tudo em troca do pão e circo, eu sei que somos o país do jeitinho, o país da bunda e do carnaval. Mas, sei também que tenho o direito de não engolir uma copa que foi feita à custa do povo brasileiro, que luta com dificuldade, que não tem onde morar, que mora na favela, que faz o Brasil rodar, pois é esse povo que limpa as ruas, limpa as casas dos patrões, que recolhe seu lixo, porque é esse povo que a copa no Brasil sacaneou. Se você ainda duvida perca uns minutinhos e veja o documentário abaixo, que é apenas um dentre outros que tive a oportunidade de assistir, eu já postei há alguns meses, mas quem sabe depois de assistir você perceba que o que aconteceu ontem acontece todo dia com o povo brasileiro. Michelle Matias.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A partir de hoje estou de dieta...não engulo mais sapos!

M.M.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Tem muita gente requentada se achando requintada.

Michelle Matias

domingo, 20 de abril de 2014




Feriado Santo = Santa Hipocrisia


Michelle Matias

sexta-feira, 14 de março de 2014

Leio logo existo





Eu acredito que todo mundo deve ter algo que o tire da rotina. Uns correm, outros vão a festas, outros ouvem música (eu ouço muita), etc. Pra mim, não há nada melhor que a leitura. Não só por aprender coisas novas, adquirir novos conceitos, entender que a vida é uma eterna evolução, mas pelo poder que ela tem de nos transportar para outros mundos, outras eras e entrar num mundo de fantasias e imaginação. Quando leio, me transporto. Vou a Portugal de Pessoa, A Alemanha de Nietzsche, e ao sertão de Guimarães Rosa, entro na trama de Ayn Rand e no politicamente incorreto de Pónde. São tantas as possibilidades, que não posso mensurar. Porque quando leio, somos eu e o livro.

Michelle Matias.

quinta-feira, 13 de março de 2014



Passando de um canal para o outro, um tanto entediada com a programação resolvi parar num desses canais religiosos, pura curiosidade e tédio mesmo. Até que ouvindo o tom de voz enfático e as práticas mágico-religiosas de certo pastor, (esse que já foi preso, já foi acusado de desviar os dízimos e as ofertas da instituição, entre outras falcatruas) Fiquei me perguntando onde isso vai parar. Sinceramente, eu não enxergo uma saída de emergência, muitas vezes me pego assustada com o mundo que me cerca, com a televisão que cada dia me vejo obrigada a desligar, com pessoas que não enxergam nem um palmo diante do nariz... Até quando vamos fazer de conta que nada está acontecendo? A religião é apenas um dos pontos em que nossa sociedade está definhando... Em um tempo que por onde olho há novas igrejas, novos templos, novas religiões... Que na verdade, estão anos luz distante de Cristo. Usando a palavra de Deus como ferramenta para a manipulação. Lembro-me daquele dito popular que afirma que “o pior cego é aquele que não quer ver”, posso crer que a pior cegueira é a cegueira do espírito, que transforma a fé em Cristo numa crença estéril, pois nada faz além de satisfazer o ego de pessoas que fazem da fé e da crença do outro um negócio lucrativo. Eu me pergunto o que fazem essas pessoas que andam com a Bíblia debaixo do braço, que deixam elas abertas em seus oratórios, que a levam ao culto de domingo. Porque basta a pessoa ter um pouco de senso critico e vontade de entender, que ela vai perceber que a instituição a qual ela está inserida nada tem a ver com Cristo, simples assim. Então esses homens que fazem da fé - business estariam longe dessas pessoas e instituições, pois elas teriam entendido os valores e verdades da Boa Nova, e seriam verdadeiros seguidores de Cristo.

Michelle Matias











domingo, 2 de fevereiro de 2014


Entre dois mundos...
Equilibro-me
Entre o real e o absurdo.

M.M.

sábado, 1 de fevereiro de 2014




Chove.
Aqui dentro tempestade.
O dia sem sol entristece a cidade.

M.M

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

As Sombras da Vida








As quentinhas da programação.



É tudo piada. Foi o que pensei quando liguei a televisão. Tantos especialistas, tantas discussões, tantas estatísticas, estéticas, tantos padrões. E o jornal escorre sangue, enquanto vejo bundas na programação. Tantas fórmulas para a perfeição. Pílulas, Shakes, Botox, cirurgião. Tantos artifícios para você se encaixar num padrão. E você ainda nem comprou o último lançamento da coleção. Entre um canal e outro se vende beleza, tablet, craques, felicidade e a última chacina que espantou a população. O vizinho se incomodou com o barulho e seis tiros resolveram a situação. E você aí sem a Tevê de cristal líquido que está em promoção. Tudo é dividido em 12 “prestação”. Enquanto a ONU fingi salvar o planeta seu vizinho mal consegue comprar o pão. A, mas, se eu pudesse e meu dinheiro desse, eu ajudava a população.Mas, me deixa ver a novela porque é o ultimo capitulo e querer ver se quem ganha é o mocinho ou o vilão.Na semana passada o menino rico atropelou o pobre e tudo se resolveu com um milhão.O Brasil é assim mesmo não sou eu quem vai mudar a situação.Prefiro dar ibope que tomar uma posição.Sou latino-americano e desde Cabral até o atual político ladrão sou apenas vitima de uma má administração.

M.M.